{"id":3480,"date":"2026-10-20T09:00:00","date_gmt":"2026-10-20T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3480"},"modified":"2026-10-07T02:00:52","modified_gmt":"2026-10-07T05:00:52","slug":"a-diplomacia-climatica-indiana-no-seculo-xxi-principios-atores-e-estrategia-geopolitica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/?p=3480","title":{"rendered":"A DIPLOMACIA CLIM\u00c1TICA INDIANA NO S\u00c9CULO XXI:\u00a0PRINC\u00cdPIOS, ATORES E ESTRAT\u00c9GIA GEOPOL\u00cdTICA"},"content":{"rendered":"\n<p>Volume 13 | N\u00famero 126 | Out. 2026<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/ed-esp-estudos-asiaticos-819x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3474\" style=\"aspect-ratio:0.7998288874629511;width:364px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/ed-esp-estudos-asiaticos-819x1024.png 819w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/ed-esp-estudos-asiaticos-240x300.png 240w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/ed-esp-estudos-asiaticos-768x960.png 768w, https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/ed-esp-estudos-asiaticos.png 1080w\" sizes=\"(max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Por Lucas Feitosa Vidal<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">INTRODU\u00c7\u00c3O<\/h4>\n\n\n\n<p>Poucos temas exp\u00f5em t\u00e3o claramente as contradi\u00e7\u00f5es da ascens\u00e3o indiana quanto a mudan\u00e7a do clima. O pa\u00eds precisa ampliar a oferta de energia e criar empregos para uma popula\u00e7\u00e3o ainda marcada por car\u00eancias materiais. Ao mesmo tempo, j\u00e1 ocupa uma posi\u00e7\u00e3o decisiva nas emiss\u00f5es globais e est\u00e1 entre as sociedades mais expostas ao calor extremo, \u00e0s mon\u00e7\u00f5es irregulares e \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar. Nenhuma estrat\u00e9gia internacional ser\u00e1 efetiva se ignorar as necessidades e escolhas das grandes economias de industrializa\u00e7\u00e3o tardia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para as Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, o caso indiano mostra como uma pot\u00eancia emergente combina normas distributivas, recursos materiais e aspira\u00e7\u00f5es de status. As negocia\u00e7\u00f5es definem a reparti\u00e7\u00e3o da capacidade remanescente de carbono, o acesso a financiamento e tecnologia e padr\u00f5es capazes de reorganizar vantagens econ\u00f4micas. Tamb\u00e9m afetam a autonomia da \u00cdndia, dependente de combust\u00edveis importados e de tecnologias e minerais cr\u00edticos concentrados na China. Nesse contexto, o clima tornou-se uma arena em que os Estados negociam desenvolvimento, seguran\u00e7a econ\u00f4mica e hierarquia internacional (NACHIAPPAN, 2026, p. 1-3).<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse problema, o artigo pergunta: quais princ\u00edpios, atores e condicionantes geopol\u00edticos orientam a diplomacia clim\u00e1tica indiana contempor\u00e2nea? A literatura aponta tr\u00eas resultados. Primeiro, sucessivos governos mantiveram a responsabilidade hist\u00f3rica, a equidade per capita e o princ\u00edpio das responsabilidades comuns, por\u00e9m diferenciadas (CBDR, da sigla em ingl\u00eas) porque o pa\u00eds enfrenta restri\u00e7\u00f5es duradouras, e n\u00e3o apenas por prefer\u00eancia ret\u00f3rica. Segundo, a chegada do Bharatiya Janata Party (BJP) ao poder, em 2014, preservou esses fundamentos, mas mudou o estilo, os instrumentos e a iniciativa da pol\u00edtica externa clim\u00e1tica. Terceiro, a \u00cdndia combina financiamento e margem de manobra na mitiga\u00e7\u00e3o com pol\u00edtica industrial verde e diversifica\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Nesse processo, compete com a China e constr\u00f3i parcerias seletivas com Estados Unidos, Uni\u00e3o Europeia e Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro resultado exige relacionar o discurso diplom\u00e1tico \u00e0 base material do desenvolvimento. A demanda de eletricidade cresceu, o sistema depende do carv\u00e3o e uma transi\u00e7\u00e3o mal sequenciada distribuiria custos desiguais entre estados, trabalhadores e pequenas empresas. Isso n\u00e3o torna inevit\u00e1vel cada escolha do governo nem exime o pa\u00eds de responsabilidade. Explica, por\u00e9m, por que sucessivos governos veem metas absolutas como poss\u00edveis restri\u00e7\u00f5es produtivas. A mesma estrutura incentiva a \u00cdndia a atrair capital, importar menos petr\u00f3leo e desenvolver tecnologias de baixo carbono no pr\u00f3prio pa\u00eds (CHATURVEDI et al., 2024, p. 4-12).<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo resultado torna a ideia de continuidade mais precisa. Antes de 2014, a \u00cdndia j\u00e1 contava com institui\u00e7\u00f5es e miss\u00f5es nacionais e participava cada vez mais das negocia\u00e7\u00f5es. O governo Modi, contudo, colocou o clima em posi\u00e7\u00e3o mais destacada e passou a us\u00e1-lo para projetar o pa\u00eds internacionalmente. Iniciativas como a International Solar Alliance (ISA), a Coalition for Disaster Resilient Infrastructure (CDRI) e o programa LiFE ligaram a imagem do primeiro-ministro a uma diplomacia mais ativa, vis\u00edvel e voltada \u00e0 oferta de solu\u00e7\u00f5es. Sob o BJP, o governo deixou de recorrer \u00e0 equidade sobretudo como linguagem de resist\u00eancia. Passou tamb\u00e9m a invoc\u00e1-la para negociar margem de manobra, sustentar a pol\u00edtica industrial e reivindicar a lideran\u00e7a do Sul Global. Os princ\u00edpios continuaram os mesmos, mas a \u00cdndia mudou de forma substantiva sua maneira de agir e buscar status (SRIVASTAVA, 2025, p. 2-9).<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro resultado insere essa mudan\u00e7a em um ambiente geopol\u00edtico competitivo. A \u00cdndia procura preservar sua autonomia diante do poder industrial chin\u00eas, embora ainda dependa, no curto prazo, de equipamentos que barateiam as energias renov\u00e1veis. Em paralelo, recorre a acordos com Washington, Bruxelas e T\u00f3quio para obter tecnologia, investimento e minerais cr\u00edticos. Isso n\u00e3o significa que Nova D\u00e9lhi tenha se alinhado ao Ocidente. O pa\u00eds continua a contestar medidas comerciais unilaterais e a insistir em financiamento concessional e responsabilidades diferenciadas. Sua diplomacia avan\u00e7a por acordos setoriais e combina coopera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, competi\u00e7\u00e3o industrial e a pretens\u00e3o de representar o Sul Global (NACHIAPPAN, 2026, p. 4-6).<\/p>\n\n\n\n<p>A partir desse pano de fundo, o restante do artigo est\u00e1 dividido em seis partes. A se\u00e7\u00e3o 2 apresenta a base material da pol\u00edtica clim\u00e1tica e relaciona emiss\u00f5es, energia e restri\u00e7\u00f5es macroecon\u00f4micas. A se\u00e7\u00e3o 3 reconstr\u00f3i os princ\u00edpios hist\u00f3ricos que organizaram a posi\u00e7\u00e3o indiana e mostra como eles se adaptaram \u00e0 arquitetura prevista no Acordo de Paris, documento basilar do regime internacional de mudan\u00e7a do clima. A se\u00e7\u00e3o 4 examina o que permaneceu e o que mudou sob Modi, al\u00e9m dos atores e mecanismos que coordenam a pol\u00edtica dom\u00e9stica. A se\u00e7\u00e3o 5 analisa como Nova D\u00e9lhi ordena, atualmente, financiamento, adapta\u00e7\u00e3o, tecnologia e mitiga\u00e7\u00e3o. A se\u00e7\u00e3o 6 amplia o foco geopol\u00edtico para incluir a rivalidade com a China, as parcerias com Estados Unidos, Uni\u00e3o Europeia e Jap\u00e3o e a disputa pela lideran\u00e7a no Sul Global. Por fim, a conclus\u00e3o re\u00fane esses planos e aponta os limites da estrat\u00e9gia indiana.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A BASE MATERIAL<\/h4>\n\n\n\n<p>Antes de examinar a linguagem de Nova D\u00e9lhi nas confer\u00eancias, \u00e9 preciso dimensionar a economia que sustenta suas posi\u00e7\u00f5es. Em 2023, a \u00cdndia emitiu 4,14 bilh\u00f5es de toneladas de CO2 equivalente, ou 8% do total mundial, ap\u00f3s um aumento anual de 6,1%. O pa\u00eds est\u00e1 entre os maiores emissores correntes, mas a compara\u00e7\u00e3o muda quando se considera a popula\u00e7\u00e3o e hist\u00f3ria. As emiss\u00f5es chegaram a 2,9 toneladas per capita, e a \u00cdndia respondeu por cerca de 3% do CO2 emitido entre 1850 e 2022. No mesmo per\u00edodo, os Estados Unidos responderam por 20% e a Uni\u00e3o Europeia, por 12%. Esse contraste ajuda a explicar por que o governo aceita reduzir a intensidade de carbono, mas resiste a um teto absoluto que desconsidere o desenvolvimento do pa\u00eds (PNUMA, 2024, p. 12).<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema energ\u00e9tico est\u00e1 no centro do problema. Ele responde por tr\u00eas quartos das emiss\u00f5es nacionais, e a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, sozinha, produz cerca de 40%. Ao mesmo tempo, a oferta precisa crescer, em uma sociedade que consome 19 gigajoules por habitante ao ano, ante 70 a 100 nos pa\u00edses com elevado desenvolvimento humano. Diante dessa necessidade energ\u00e9tica, o carv\u00e3o cumpre uma fun\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e estrat\u00e9gica. As usinas fornecem energia despach\u00e1vel, sustentam receitas estaduais e mant\u00eam empregos em regi\u00f5es pouco diversificadas. O combust\u00edvel tamb\u00e9m protege parcialmente o pa\u00eds da volatilidade das importa\u00e7\u00f5es. Por isso, a \u00cdndia associa o abandono dos f\u00f3sseis ao acesso \u00e0 energia, \u00e0 seguran\u00e7a do abastecimento e \u00e0 estabilidade das regi\u00f5es produtoras (CHATURVEDI et al., 2024, p. 4-12).<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a \u00cdndia expandiu rapidamente as energias renov\u00e1veis, mas ainda existe uma dist\u00e2ncia entre o que projeta no exterior e o que executa internamente. O pa\u00eds pretendia alcan\u00e7ar 100 GW de energia solar em 2022, mas terminou o per\u00edodo com uma lacuna estimada em 27 GW. A maior parte do atraso ocorreu na gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda. Poucos meses antes do prazo, os telhados solares somavam cerca de 11 GW, diante de uma meta de 40 GW. Enquanto isso, o pa\u00eds consumiu 1,251 bilh\u00e3o de toneladas de carv\u00e3o em 2023, 9% a mais que no ano anterior, porque as fontes renov\u00e1veis n\u00e3o acompanharam todo o crescimento da demanda el\u00e9trica. Os dados mostram que instalar capacidade limpa n\u00e3o \u00e9 o mesmo que reduzir a depend\u00eancia das t\u00e9rmicas. A \u00cdndia avan\u00e7ou bastante no primeiro objetivo, mas o segundo ainda esbarra na r\u00e1pida expans\u00e3o do sistema e em problemas nas redes, no armazenamento e na distribui\u00e7\u00e3o (GULIA, THAYILLAM, GARG, 2022, p. 1-6; AIE, 2024, s. p.).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa depend\u00eancia n\u00e3o torna a transi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria aos interesses econ\u00f4micos da \u00cdndia. Substituir petr\u00f3leo importado pode aliviar a conta corrente, enquanto o mercado dom\u00e9stico oferece escala para pain\u00e9is solares, baterias e hidrog\u00eanio. Os benef\u00edcios dependem da ordem dos investimentos. Redes, armazenamento e distribuidoras vi\u00e1veis precisam avan\u00e7ar com a gera\u00e7\u00e3o. No a\u00e7o, no cimento e nas pequenas manufaturas, tecnologia imatura e capital caro podem tornar equipamentos obsoletos antes que surjam alternativas competitivas. Os modelos estimam que a neutralidade em 2070 pode reduzir o PIB projetado entre 2,8% e 4,4%, conforme as hip\u00f3teses. Adiar a mitiga\u00e7\u00e3o, por outro lado, elevaria o custo futuro. O desafio macroecon\u00f4mico \u00e9 coordenar investimentos e repartir riscos no tempo (CHATURVEDI et al., 2024, p. 8-10, 33-39).<\/p>\n\n\n\n<p>Os custos tamb\u00e9m se distribuem de maneira desigual entre trabalhadores e empresas. Mais de meio milh\u00e3o de pessoas empregadas em atividades ligadas ao carv\u00e3o podem ser afetadas, sem contar quem trabalha informalmente. As micro, pequenas e m\u00e9dias empresas respondem por cerca de 30% do PIB, 45% das exporta\u00e7\u00f5es e mais de 110 milh\u00f5es de empregos. Apesar de seu peso econ\u00f4mico, elas t\u00eam menos acesso a cr\u00e9dito e tecnologia. Se o governo adotar apenas metas agregadas, poder\u00e1 concentrar os custos da transi\u00e7\u00e3o em regi\u00f5es e empresas com pouca capacidade para se adaptar. \u00c9 por isso que Nova D\u00e9lhi leva a transi\u00e7\u00e3o justa e o financiamento concessional \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es internacionais. Com essas pautas, o pa\u00eds procura compartilhar no exterior parte dos riscos que enfrenta internamente (CHATURVEDI et al., 2024, p. 6-12).<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 os sumidouros de carbono<a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>&nbsp;s\u00e3o dif\u00edceis de medir e executar. A \u00cdndia pretende criar um sumidouro adicional de 2,5 a 3 bilh\u00f5es de toneladas de CO2 at\u00e9 2030, mas as estimativas divergem. Invent\u00e1rios oficiais calcularam que o pa\u00eds sequestrava entre 68 e 203 milh\u00f5es de toneladas de CO2 equivalente por ano. Estudos acad\u00eamicos estimaram, ao contr\u00e1rio, que o uso da terra poderia emitir entre 185 e 198 milh\u00f5es de toneladas l\u00edquidas. Parte da diferen\u00e7a vem de defini\u00e7\u00f5es que classificam planta\u00e7\u00f5es e cultivos arb\u00f3reos como floresta. As s\u00e9ries sobre cobertura, estoque de carbono e qualidade dos ecossistemas tamb\u00e9m se contradizem. Isso n\u00e3o prova que a meta seja invi\u00e1vel, mas impede que o aumento da \u00e1rea classificada como floresta seja tomado como prova de um sumidouro adicional e permanente (DUBASH et al., 2018, p. 406-407).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas condi\u00e7\u00f5es materiais explicam por que o financiamento clim\u00e1tico ganhou tanto peso na diplomacia indiana. Para Nova D\u00e9lhi, os recursos concessionais devem diminuir riscos tecnol\u00f3gicos e cambiais e tornar poss\u00edveis investimentos de alto retorno social, sobretudo em adapta\u00e7\u00e3o e infraestrutura. A NDC<a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;para 2031\u20132035 mant\u00e9m metas de intensidade, capacidade el\u00e9trica n\u00e3o f\u00f3ssil e sumidouros, mas n\u00e3o limita as emiss\u00f5es absolutas. Esse formato permite modernizar a economia e ampliar a oferta de energia, embora tamb\u00e9m deixe espa\u00e7o para que as emiss\u00f5es totais continuem crescendo. A escolha conecta as restri\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas do pa\u00eds aos princ\u00edpios de responsabilidades diferenciadas que orientam h\u00e1 d\u00e9cadas sua atua\u00e7\u00e3o internacional (INDIA, 2026, p. 9-15).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">PRINC\u00cdPIOS HIST\u00d3RICOS<\/h4>\n\n\n\n<p>Se a estrutura energ\u00e9tica explica por que a \u00cdndia evita compromissos absolutos, os conceitos do regime clim\u00e1tico mostram como o pa\u00eds justificou essa prud\u00eancia. A diplomacia indiana tratou a mudan\u00e7a do clima como um problema de distribui\u00e7\u00e3o. De acordo com a \u00cdndia, o aquecimento decorre do ac\u00famulo de emiss\u00f5es, e n\u00e3o apenas das emiss\u00f5es correntes, e os pa\u00edses industrializados usaram uma parcela desproporcional da capacidade da atmosfera. A \u00cdndia reuniu responsabilidade hist\u00f3rica, equidade per capita e direito ao desenvolvimento em uma mesma vis\u00e3o, argumentando, ainda, que proteger o clima deveria ser compat\u00edvel com erradicar a pobreza e ampliar a produ\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses do Sul (DUBASH et al., 2018, p. 397-400).<\/p>\n\n\n\n<p>O princ\u00edpio das responsabilidades comuns, por\u00e9m diferenciadas e respectivas capacidades (CBDR-RC) levou essa vis\u00e3o \u00e0s mesas de negocia\u00e7\u00e3o. Todos os Estados teriam o dever de proteger o sistema clim\u00e1tico, mas n\u00e3o deveriam assumir o mesmo encargo, pois contribu\u00edram de maneira desigual para o problema e disp\u00f5em de recursos econ\u00f4micos muito diferentes. Os pa\u00edses desenvolvidos deveriam liderar a mitiga\u00e7\u00e3o. Aos demais, caberia mais tempo, financiamento e tecnologia. Essa interpreta\u00e7\u00e3o sustentou a recusa indiana de metas quantitativas obrigat\u00f3rias (PATHAK, PARRIS, 2021, p. 5-8).<\/p>\n\n\n\n<p>A equidade per capita acrescentou outro crit\u00e9rio \u00e0 posi\u00e7\u00e3o indiana. Ao sustentar que cada pessoa deveria ter o mesmo direito aos bens comuns da atmosfera, a \u00cdndia contestou compara\u00e7\u00f5es baseadas apenas nas emiss\u00f5es totais dos pa\u00edses. Em junho de 2007, em reuni\u00e3o do G8+5 na Alemanha, o primeiro-ministro Manmohan Singh anunciou que as emiss\u00f5es per capita indianas n\u00e3o ultrapassariam as dos pa\u00edses desenvolvidos, mesmo com a continuidade do crescimento econ\u00f4mico. A declara\u00e7\u00e3o foi formulada em meio \u00e0s discuss\u00f5es sobre o regime clim\u00e1tico p\u00f3s-Kyoto<a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>&nbsp;e \u00e0 press\u00e3o para que grandes economias emergentes assumissem maiores responsabilidades, sendo reafirmada no Plano Nacional de A\u00e7\u00e3o sobre Mudan\u00e7a do Clima de 2008. Como as emiss\u00f5es indianas por habitante eram muito inferiores \u00e0s das economias desenvolvidas, o compromisso preservava amplo espa\u00e7o para o crescimento do pa\u00eds, mas introduzia um limite relativo e uma refer\u00eancia para a converg\u00eancia futura das emiss\u00f5es per capita (SARYAL, 2018, p. 6\u201311).<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00cdndia tamb\u00e9m vinculou esses princ\u00edpios \u00e0 soberania sobre seu or\u00e7amento de carbono. Na prepara\u00e7\u00e3o para a COP15<a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>, realizada em Copenhague em 2009, o governo indiano definiu como limites de sua posi\u00e7\u00e3o a recusa de metas juridicamente vinculantes de redu\u00e7\u00e3o, de uma data obrigat\u00f3ria para o pico de suas emiss\u00f5es e da revis\u00e3o internacional de a\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas que n\u00e3o recebessem financiamento ou tecnologia externos. Dois anos depois, \u00e0s v\u00e9speras da COP17, em Durban, Nova D\u00e9lhi prop\u00f4s que a confer\u00eancia discutisse o acesso equitativo ao desenvolvimento sustent\u00e1vel, as barreiras impostas pela propriedade intelectual \u00e0 transfer\u00eancia de tecnologias clim\u00e1ticas e a proibi\u00e7\u00e3o de medidas comerciais unilaterais adotadas em nome do clima. Essas posi\u00e7\u00f5es expressavam o receio de que regras internacionais transferissem custos aos pa\u00edses em desenvolvimento e restringissem sua liberdade para organizar a moderniza\u00e7\u00e3o. Na argumenta\u00e7\u00e3o indiana, impor controles semelhantes a pa\u00edses com trajet\u00f3rias hist\u00f3ricas distintas poderia reproduzir as desigualdades criadas pela industrializa\u00e7\u00e3o colonial e transformar quest\u00f5es t\u00e9cnicas de transpar\u00eancia, tecnologia e com\u00e9rcio em disputas sobre soberania e desenvolvimento (PATHAK, PARRIS, 2021, p. 11\u201319).<\/p>\n\n\n\n<p>O Acordo de Paris (2015)<a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>&nbsp;n\u00e3o eliminou essa tradi\u00e7\u00e3o, mas mudou a forma como a \u00cdndia a aplica. As contribui\u00e7\u00f5es nacionalmente determinadas permitiram que o pa\u00eds assumisse metas sem seguir uma trajet\u00f3ria uniforme definida no exterior. A partir de ent\u00e3o, Nova D\u00e9lhi j\u00e1 n\u00e3o precisou apoiar as responsabilidades diferenciadas apenas em uma separa\u00e7\u00e3o fixa entre grupos de pa\u00edses. Passou a express\u00e1-las tamb\u00e9m nos indicadores que escolhe, nas condi\u00e7\u00f5es que vincula ao financiamento e na resist\u00eancia a novas obriga\u00e7\u00f5es para setores espec\u00edficos. Essa arquitetura abriu mais espa\u00e7o para iniciativas volunt\u00e1rias. Ainda assim, a \u00cdndia manteve a ideia de que os pa\u00edses s\u00f3 podem elevar sua ambi\u00e7\u00e3o se tamb\u00e9m receberem os meios necess\u00e1rios para implement\u00e1-la (DUBASH et al., 2018, p. 409-413).<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3pria literatura indiana aponta um limite nessa posi\u00e7\u00e3o. Ao enfatizar a equidade entre Estados, o pa\u00eds pode ocultar desigualdades de consumo e vulnerabilidade internas. As baixas emiss\u00f5es m\u00e9dias da popula\u00e7\u00e3o pobre acabam legitimando estilos de vida intensivos em carbono entre grupos ricos. A express\u00e3o \u201c<em>hiding behind the poor<\/em>\u201d n\u00e3o nega a responsabilidade hist\u00f3rica dos pa\u00edses desenvolvidos, mas mostra que a justi\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o se resume a comparar m\u00e9dias nacionais. \u00c0 medida que amplia sua tecnologia e seu peso internacional, a \u00cdndia tamb\u00e9m passa a ser julgada por suas escolhas distributivas e emiss\u00f5es correntes (DUBASH et al., 2018, p. 398-400).<\/p>\n\n\n\n<p>Equidade, responsabilidade hist\u00f3rica e soberania, portanto, n\u00e3o desapareceram. A \u00cdndia as adaptou a um regime mais volunt\u00e1rio e menos dividido entre dois blocos r\u00edgidos. Esses princ\u00edpios ainda definem o que Nova D\u00e9lhi considera uma distribui\u00e7\u00e3o leg\u00edtima das obriga\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo, novos instrumentos de coopera\u00e7\u00e3o e pol\u00edtica industrial deram ao pa\u00eds outras maneiras de exercer influ\u00eancia (XAVIER, NACHIAPPAN, 2024, p. 2-3).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">CONTINUIDADE E INFLEX\u00c3O SOB MODI<\/h4>\n\n\n\n<p>A chegada do Bharatiya Janata Party (BJP) ao poder, em 2014, representou mais do que uma altern\u00e2ncia partid\u00e1ria. O programa do partido combinava a promessa de uma lideran\u00e7a executiva forte com crescimento acelerado, expans\u00e3o da infraestrutura, industrializa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a energ\u00e9tica. Na \u00e1rea de energia, previa aumentar a produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica de carv\u00e3o e, simultaneamente, diversificar a matriz, fortalecer as fontes renov\u00e1veis e ampliar a Miss\u00e3o Solar Nacional. Essa combina\u00e7\u00e3o exprimia uma concep\u00e7\u00e3o segundo a qual a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica deveria aumentar a capacidade produtiva e a autonomia estrat\u00e9gica do pa\u00eds, e n\u00e3o limitar sua moderniza\u00e7\u00e3o (BJP, 2014, p. 1\u20133, 34\u201340).<\/p>\n\n\n\n<p>A agenda tamb\u00e9m possu\u00eda uma dimens\u00e3o ideol\u00f3gica associada ao Hindutva, corrente de nacionalismo hindu que situa a civiliza\u00e7\u00e3o hindu no centro da identidade nacional e da proje\u00e7\u00e3o internacional da \u00cdndia. Esse enquadramento permitiu apresentar a sustentabilidade e as energias renov\u00e1veis como express\u00f5es de valores civilizacionais indianos e como instrumentos para recuperar o prest\u00edgio do pa\u00eds, al\u00e9m de respostas \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A partir de 2023, essa orienta\u00e7\u00e3o foi condensada na vis\u00e3o Viksit Bharat 2047, projeto de transformar a \u00cdndia em um pa\u00eds desenvolvido at\u00e9 o centen\u00e1rio de sua independ\u00eancia, articulando infraestrutura, manufatura, autossufici\u00eancia, crescimento verde e seguran\u00e7a energ\u00e9tica. Modi constitui, portanto, um marco n\u00e3o por ter criado a pol\u00edtica clim\u00e1tica indiana do zero, mas por centraliz\u00e1-la no Gabinete do Primeiro-Ministro e integr\u00e1-la de maneira mais direta ao nacionalismo desenvolvimentista e \u00e0 busca de status internacional. O Plano Nacional de A\u00e7\u00e3o sobre Mudan\u00e7a do Clima, de 2008, suas miss\u00f5es setoriais e os princ\u00edpios de equidade e responsabilidades diferenciadas permaneceram como bases dessa pol\u00edtica (SHARMA, 2025, p. 55\u201386; \u00cdNDIA, 2023; NACHIAPPAN, 2026, p. 2\u20133).<\/p>\n\n\n\n<p>Sob Modi, o Gabinete do Primeiro-Ministro aproximou os compromissos clim\u00e1ticos das pol\u00edticas industrial e de infraestrutura e da imagem internacional do pa\u00eds. Ao aderir ao Acordo de Paris e apresentar NDCs com prazo, a \u00cdndia passou a falar como demandante de justi\u00e7a e provedora de solu\u00e7\u00f5es. ISA, CDRI e LiFE ligaram o primeiro-ministro \u00e0 energia solar, \u00e0 infraestrutura resiliente e ao consumo sustent\u00e1vel. O governo personalizou essas iniciativas e lhes deu grande visibilidade. Ainda assim, manteve os programas subordinados \u00e0 autonomia econ\u00f4mica e \u00e0s responsabilidades diferenciadas (SRIVASTAVA, 2025, p. 2-9).<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o representou uma ruptura completa. Como as transfer\u00eancias financeiras e tecnol\u00f3gicas dificilmente ocorreriam na escala reivindicada, o governo aproximou a mitiga\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica industrial e da moderniza\u00e7\u00e3o produtiva. Tamb\u00e9m passou a recorrer \u00e0 equidade e \u00e0s responsabilidades diferenciadas para negociar n\u00e3o s\u00f3 obriga\u00e7\u00f5es, mas acesso a capital, liberdade de a\u00e7\u00e3o e espa\u00e7o para formar ind\u00fastrias nacionais. Foram a demanda por energia, a depend\u00eancia do carv\u00e3o, o emprego e o custo do capital que fixaram os limites do que a \u00cdndia estava disposta a conceder. A decis\u00e3o do governo Modi foi transformar essas restri\u00e7\u00f5es em uma diplomacia de iniciativas e parcerias seletivas (NACHIAPPAN, 2026, p. 2-6).<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro-ministro passou a coordenar a agenda com mais firmeza, mas lida com institui\u00e7\u00f5es fragmentadas. O Minist\u00e9rio de Meio Ambiente, Florestas e Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (MoEFCC, do ingl\u00eas) atua na Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (UNFCCC, do ingl\u00eas)<a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>, prepara invent\u00e1rios e acompanha o Acordo de Paris. O Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores (MEA, do ingl\u00eas) leva as posi\u00e7\u00f5es indianas \u00e0s coaliz\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es bilaterais. Os minist\u00e9rios das Finan\u00e7as, da Energia, do Carv\u00e3o e de Energias Novas e Renov\u00e1veis controlam instrumentos decisivos. Os estados licenciam projetos, administram distribuidoras e enfrentam os efeitos sobre emprego e receita. O Prime Minister\u2019s Office alinha an\u00fancios e define rumos, mas n\u00e3o elimina os incentivos divergentes. A dist\u00e2ncia entre promessa externa e a\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica depende de como o governo arbitra esses conflitos (DUBASH et al., 2018, p. 411-414).<\/p>\n\n\n\n<p>A opini\u00e3o p\u00fablica acrescenta um elemento menos vis\u00edvel. Em pesquisa nacional de 2021\u20132022, 54% dos indianos foram classificados como \u201cAlarmed\u201d e 29% como \u201cConcerned\u201d com o aquecimento global. A preocupa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o criou uma divis\u00e3o partid\u00e1ria pr\u00f3pria. Entre os grupos alarmado e preocupado, 47% e 44%, respectivamente, declararam ter votado no BJP ou em sua coaliz\u00e3o, acima das propor\u00e7\u00f5es entre cautelosos e desengajados (LEISEROWITZ et al., 2023, p. 3-5, 43-44). O clima ganha peso quando se liga \u00e0 polui\u00e7\u00e3o, ao calor, \u00e0 \u00e1gua, \u00e0 agricultura, ao emprego ou ao pre\u00e7o da energia, e n\u00e3o como tema eleitoral isolado. Com pouca polariza\u00e7\u00e3o em torno das emiss\u00f5es, o governo projeta ambi\u00e7\u00e3o no exterior sem enfrentar cobran\u00e7a dom\u00e9stica equivalente. Tamb\u00e9m tem raz\u00f5es para apresentar a transi\u00e7\u00e3o por seus benef\u00edcios concretos.<\/p>\n\n\n\n<p>O per\u00edodo Modi combinou, desse modo, comando pol\u00edtico mais centralizado, constru\u00e7\u00e3o de imagem e uso econ\u00f4mico da agenda clim\u00e1tica. O governo abriu canais para buscar investimento e conhecimento para al\u00e9m das confer\u00eancias anuais. Os resultados, por\u00e9m, ainda dependem de os \u00f3rg\u00e3os dom\u00e9sticos trabalharem em conjunto e transformarem an\u00fancios em entregas verific\u00e1veis. As prioridades que a \u00cdndia leva hoje \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es surgem desse contraste entre uma diplomacia mais ativa, princ\u00edpios distributivos relativamente est\u00e1veis e uma execu\u00e7\u00e3o interna desigual (XAVIER, NACHIAPPAN, 2024, p. 2-5).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A AGENDA ATUAL<\/h4>\n\n\n\n<p>Depois de identificar os atores e instrumentos, torna-se mais f\u00e1cil entender como Nova D\u00e9lhi ordena suas pautas. A \u00cdndia n\u00e3o rejeita a mitiga\u00e7\u00e3o, mas sustenta que os pa\u00edses devem receber meios para agir antes de assumir novas obriga\u00e7\u00f5es, ou ao menos simultaneamente. Financiamento, tecnologia e adapta\u00e7\u00e3o fornecem os crit\u00e9rios pelos quais o governo avalia a legitimidade e a viabilidade de metas adicionais (RATHA, BARIK, 2025, p. 3-5).<\/p>\n\n\n\n<p>O financiamento ocupa o primeiro lugar. Durante a negocia\u00e7\u00e3o da nova meta coletiva e quantificada para o financiamento clim\u00e1tico (NCQG), a \u00cdndia prop\u00f4s um valor muito superior ao que a COP29 aprovou em 2024. Tamb\u00e9m insistiu que os pa\u00edses desenvolvidos oferecessem recursos p\u00fablicos, novos, adicionais e concessionais. Nova D\u00e9lhi prefere&nbsp;<em>grants<\/em>&nbsp;e instrumentos baratos porque empr\u00e9stimos comerciais podem ampliar a d\u00edvida e transferir o risco cambial aos receptores. Essa posi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m decorre da leitura que faz do artigo 9 do Acordo de Paris. Para a \u00cdndia, o capital privado pode complementar, mas n\u00e3o substituir, o apoio que os pa\u00edses desenvolvidos se comprometeram a oferecer (RATHA, BARIK, 2025, p. 10-13).<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00cdndia retomou essa posi\u00e7\u00e3o no mapa do caminho Baku\u2013Bel\u00e9m<a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>. Em sua contribui\u00e7\u00e3o, tratou do custo do capital, dos ratings soberanos, do financiamento em moeda local e do acesso aos bancos multilaterais, al\u00e9m do volume total de recursos. Para Nova D\u00e9lhi, uma meta expressiva no papel pouco muda a capacidade de investir se os projetos continuam sujeitos a juros altos, varia\u00e7\u00f5es cambiais e procedimentos complexos. Ao discutir as condi\u00e7\u00f5es do financiamento, o pa\u00eds leva \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas uma cr\u00edtica mais ampla ao funcionamento da arquitetura financeira internacional (\u00cdNDIA, 2025, p. 1-4).<\/p>\n\n\n\n<p>A literatura v\u00ea essa \u00eanfase no financiamento como uma nova forma de expressar as responsabilidades diferenciadas em Paris. O debate j\u00e1 n\u00e3o trata apenas de quem assume cada obriga\u00e7\u00e3o. Alcan\u00e7a a qualidade dos recursos, as regras de contabiliza\u00e7\u00e3o e a partilha dos riscos. A \u00cdndia aproxima, com isso, a pauta multilateral dos obst\u00e1culos no terreno. Ainda permanece uma fronteira pouco clara entre responsabilidades externas e reformas dom\u00e9sticas. Mais dinheiro n\u00e3o resolve falhas regulat\u00f3rias ou dificuldades das distribuidoras. Esses problemas internos, por sua vez, n\u00e3o anulam a desigualdade no custo do capital (RATHA, BARIK, 2025, p. 10-15).<\/p>\n\n\n\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o vem em seguida. Os efeitos sobre a agricultura, a \u00e1gua, as cidades e a infraestrutura fazem da resili\u00eancia uma necessidade imediata para a \u00cdndia. Muitos desses projetos, contudo, geram benef\u00edcios sociais difusos e receitas privadas pequenas, o que dificulta a atra\u00e7\u00e3o de capital. Nova D\u00e9lhi usa o balan\u00e7o global do Acordo de Paris (GST)<a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>&nbsp;para apontar falhas na implementa\u00e7\u00e3o e recorre \u00e0 CDRI para transformar a infraestrutura resiliente em uma \u00e1rea de coopera\u00e7\u00e3o internacional. A literatura observa, no entanto, que o governo nem sempre traduz essa defesa em metas nacionais compar\u00e1veis ou em mecanismos claros de avalia\u00e7\u00e3o (RATHA, BARIK, 2025, p. 12-15).<\/p>\n\n\n\n<p>Na mitiga\u00e7\u00e3o, a \u00cdndia prefere que cada pa\u00eds defina sua trajet\u00f3ria, sem prescri\u00e7\u00f5es uniformes. O governo rejeita calend\u00e1rios universais de&nbsp;<em>phase out<\/em>&nbsp;e mant\u00e9m a express\u00e3o&nbsp;<em>phase down<\/em>, sobretudo para o carv\u00e3o. O ritmo deve considerar demanda, idade das usinas, empregos e alternativas dispon\u00edveis. Nova D\u00e9lhi aplica o mesmo racioc\u00ednio ao programa de trabalho sobre mitiga\u00e7\u00e3o (MWP), que deve facilitar coopera\u00e7\u00e3o e troca de experi\u00eancias sem criar metas al\u00e9m das NDCs. A posi\u00e7\u00e3o preserva a arquitetura de Paris, mas dificulta que diagn\u00f3sticos coletivos gerem obriga\u00e7\u00f5es espec\u00edficas (NACHIAPPAN, 2026, p. 5-7).<\/p>\n\n\n\n<p>Tecnologia e com\u00e9rcio completam essa agenda. Nova D\u00e9lhi procura parceiros para desenvolver armazenamento, hidrog\u00eanio e processos industriais de baixo carbono. Ao mesmo tempo, contesta o mecanismo europeu de ajuste de carbono na fronteira (CBAM), que considera uma transfer\u00eancia unilateral de custos e uma restri\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica industrial. A cr\u00edtica ao protecionismo verde se apoia em raz\u00f5es distributivas, mas tamb\u00e9m protege a competitividade de setores indianos intensivos em carbono. Com\u00e9rcio e tecnologia definem, em conjunto, as condi\u00e7\u00f5es nas quais a \u00cdndia pretende ingressar nas cadeias de baixo carbono (NACHIAPPAN, 2026, p. 4-6).<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, a \u00cdndia n\u00e3o prop\u00f5e simplesmente trocar mitiga\u00e7\u00e3o por financiamento. Ela sustenta que o ritmo do corte de emiss\u00f5es depende dos recursos dispon\u00edveis, do acesso \u00e0 tecnologia e da margem de decis\u00e3o que o pa\u00eds conserva. Essa posi\u00e7\u00e3o est\u00e1 de acordo com seus princ\u00edpios hist\u00f3ricos e suas restri\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, mas n\u00e3o esclarece inteiramente onde termina a responsabilidade externa e come\u00e7am as reformas dom\u00e9sticas. A quest\u00e3o adquire import\u00e2ncia estrat\u00e9gica porque muitas das tecnologias necess\u00e1rias \u00e0 transi\u00e7\u00e3o pertencem a cadeias produtivas dominadas pela China e expostas \u00e0 competi\u00e7\u00e3o entre as grandes pot\u00eancias (XAVIER, NACHIAPPAN, 2024, p. 4-5).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">GEOPOL\u00cdTICA DA TRANSI\u00c7\u00c3O<\/h4>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o com a China re\u00fane tens\u00f5es centrais da diplomacia clim\u00e1tica indiana. Os dois pa\u00edses defendem responsabilidades diferenciadas, financiamento e tecnologia em coaliz\u00f5es como BASIC<a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>&nbsp;e Like-Minded Developing Countries<a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>. Essa converg\u00eancia convive com grande desigualdade entre suas ind\u00fastrias verdes. Pequim influencia pela escala e pelo controle das cadeias produtivas. Nova D\u00e9lhi se diferencia pela legitimidade de sua trajet\u00f3ria e por uma coopera\u00e7\u00e3o que apresenta como mais horizontal. Ambos defendem o espa\u00e7o pol\u00edtico do Sul, mas disputam mercados, padr\u00f5es e autoridade (SINHA, 2026, p. 93-96).<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do objetivo de ampliar a produ\u00e7\u00e3o interna, a \u00cdndia depende de equipamentos e insumos produzidos ou processados na China. M\u00f3dulos solares, baterias e minerais cr\u00edticos chegam com escala e custo dif\u00edceis de reproduzir no curto prazo. Restringir importa\u00e7\u00f5es estimula a produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica e reduz vulnerabilidades, mas encarece a descarboniza\u00e7\u00e3o. Mant\u00ea-las acelera as renov\u00e1veis, embora aprofunde a depend\u00eancia de um competidor envolvido em disputas territoriais e tecnol\u00f3gicas com o pa\u00eds (RAMAMURTHI, JARGAD, 2026, p. 6-9).<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, Nova D\u00e9lhi procura diversificar seus fornecedores, e n\u00e3o romper completamente com a China. A \u00cdndia depende integralmente de importa\u00e7\u00f5es em dez minerais cr\u00edticos, sobretudo em segmentos cujo processamento se concentra no territ\u00f3rio chin\u00eas. Os incentivos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica podem diminuir essa vulnerabilidade, mas n\u00e3o reproduzem rapidamente a escala de Pequim. Tarifas aplicadas antes que surjam fornecedores alternativos tamb\u00e9m encarecem a transi\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, as tecnologias verdes servem ao mesmo tempo para cortar emiss\u00f5es, criar ind\u00fastrias e exercer press\u00e3o sobre outros pa\u00edses. Clima, seguran\u00e7a econ\u00f4mica e autonomia estrat\u00e9gica passam, dessa maneira, a integrar o mesmo c\u00e1lculo (CHATURVEDI et al., 2024, p. 21-23).<\/p>\n\n\n\n<p>Os Estados Unidos ocupam um lugar importante nessa estrat\u00e9gia. Os dois pa\u00edses cooperam em energia limpa, armazenamento, hidrog\u00eanio e minerais cr\u00edticos. Ambos querem cadeias menos concentradas na China, mas divergem sobre o regime clim\u00e1tico. Washington resiste a separar rigidamente os pa\u00edses e evita transfer\u00eancias p\u00fablicas na escala reivindicada. A \u00cdndia n\u00e3o quer converter tecnologia em alinhamento amplo nem em novas obriga\u00e7\u00f5es. A parceria permanece seletiva e sujeita \u00e0 pol\u00edtica interna dos dois lados (NACHIAPPAN, 2026, p. 4-6).<\/p>\n\n\n\n<p>A Uni\u00e3o Europeia oferece capital e coopera\u00e7\u00e3o em hidrog\u00eanio e ind\u00fastria de baixo carbono. Nova D\u00e9lhi, contudo, v\u00ea seu CBAM como protecionismo capaz de punir exporta\u00e7\u00f5es antes que existam financiamento e tecnologia equivalentes. O Jap\u00e3o desempenha outro papel. Sua experi\u00eancia industrial e suas preocupa\u00e7\u00f5es com a China fazem dele um parceiro em redes el\u00e9tricas, mobilidade e terras raras. A \u00cdndia busca investimento e conhecimento sem abrir m\u00e3o de conte\u00fado local nem de liberdade regulat\u00f3ria. Esses parceiros reduzem os riscos da concentra\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o substituem a capacidade produtiva dom\u00e9stica (CHATURVEDI et al., 2024, p. 22-24).<\/p>\n\n\n\n<p>As disputas territoriais, por sua vez, limitam o quanto \u00cdndia e China podem cooperar. Os dois governos coordenam posi\u00e7\u00f5es quando enfrentam press\u00f5es comuns dos pa\u00edses desenvolvidos, mas dificilmente isolam o clima das tens\u00f5es na fronteira e no Indo-Pac\u00edfico. Especialistas e representantes dos dois pa\u00edses ainda trabalham juntos em canais t\u00e9cnicos e f\u00f3runs plurilaterais. Esses contatos acrescentam uma nova forma de interdepend\u00eancia \u00e0 rela\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o eliminam a rivalidade (PRYS-HANSEN, KAACK, 2024, p. 562-571).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse ambiente que os dois pa\u00edses disputam o Sul Global. A China oferece financiamento e infraestrutura em uma escala dif\u00edcil de igualar. Nova D\u00e9lhi responde com capacita\u00e7\u00e3o, solu\u00e7\u00f5es adaptadas e uma linguagem menos hier\u00e1rquica. A ISA e a CDRI permitem que o pa\u00eds forne\u00e7a institui\u00e7\u00f5es e dialogue com economias vulner\u00e1veis e grandes pot\u00eancias. Sua capacidade financeira \u00e9 menor, e a depend\u00eancia de componentes chineses enfraquece a promessa de autonomia. A \u00cdndia n\u00e3o substitui simplesmente a lideran\u00e7a chinesa. Competi\u00e7\u00e3o, interdepend\u00eancia e complementaridade variam conforme o setor e o parceiro (RAMAMURTHI, JARGAD, 2026, p. 24-27).<\/p>\n\n\n\n<p>A express\u00e3o \u201cSul Global\u201d tamb\u00e9m exige cautela. Pequenos Estados insulares, pa\u00edses menos desenvolvidos, exportadores de combust\u00edveis f\u00f3sseis e grandes economias emergentes n\u00e3o t\u00eam, necessariamente, as mesmas prioridades. A \u00cdndia apresenta uma demanda substantiva por equidade quando lembra a responsabilidade hist\u00f3rica dos pa\u00edses ricos, as restri\u00e7\u00f5es financeiras que enfrenta e suas emiss\u00f5es per capita relativamente baixas. Essa linguagem tamb\u00e9m fortalece Nova D\u00e9lhi nas negocia\u00e7\u00f5es e pode reduzir a visibilidade das diferen\u00e7as entre pa\u00edses altamente vulner\u00e1veis e um grande emissor corrente. A literatura interpreta esse uso da identidade do Sul como uma busca por status e representa\u00e7\u00e3o, sem reduzi-lo a solidariedade autom\u00e1tica nem a simples expediente ret\u00f3rico (PATHAK, PARRIS, 2021, p. 14-20).<\/p>\n\n\n\n<p>Para liderar, portanto, a \u00cdndia ter\u00e1 de oferecer recursos, tecnologia e representa\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses, e n\u00e3o apenas invocar uma identidade comum. A competi\u00e7\u00e3o com a China a incentiva a criar institui\u00e7\u00f5es, enquanto as rela\u00e7\u00f5es com Estados Unidos, Uni\u00e3o Europeia e Jap\u00e3o ampliam suas op\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. Nenhuma dessas parcerias resolve sozinha o conflito entre descarbonizar rapidamente, formar ind\u00fastrias e preservar autonomia. A geopol\u00edtica clim\u00e1tica indiana nasce da combina\u00e7\u00e3o entre coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul, negocia\u00e7\u00e3o com o Ocidente e rivalidade asi\u00e1tica. Seus resultados ainda dependem da velocidade com que o pa\u00eds transforma a pr\u00f3pria economia (PRYS-HANSEN, KAACK, 2024, p. 570-571).<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><\/h1>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/h4>\n\n\n\n<p>Este artigo mostrou que n\u00e3o se pode reduzir a diplomacia clim\u00e1tica indiana a uma escolha entre obstruir e liderar. Sucessivos governos ainda definem os compromissos que aceitam com base na responsabilidade hist\u00f3rica, na equidade per capita, no CBDR-RC e no direito ao desenvolvimento. Esses princ\u00edpios persistem porque a economia indiana enfrenta demanda crescente por energia, forte uso do carv\u00e3o, desigualdade e capital caro. Ao mesmo tempo, a \u00cdndia os adaptou ao Acordo de Paris e passou a criar institui\u00e7\u00f5es, buscar parceiros tecnol\u00f3gicos e atuar com mais intensidade em f\u00f3runs multilaterais e minilaterais. As normas continuam a orientar o pa\u00eds, mas sua diplomacia n\u00e3o permaneceu im\u00f3vel (DUBASH et al., 2018, p. 409-413).<\/p>\n\n\n\n<p>A chegada do BJP ao poder tornou essa distin\u00e7\u00e3o mais clara. O governo Modi manteve as posi\u00e7\u00f5es distributivas, mas concentrou decis\u00f5es, personalizou iniciativas e aproximou o clima da pol\u00edtica industrial e da busca por status. A \u00cdndia passou a oferecer plataformas, mobilizar coaliz\u00f5es e procurar capital e tecnologia por diferentes canais. A mudan\u00e7a, em paralelo, encontra limites internos. O clima raramente decide elei\u00e7\u00f5es, minist\u00e9rios e estados nem sempre trabalham na mesma dire\u00e7\u00e3o e os setores f\u00f3sseis continuam influentes. Por isso, a imagem projetada no exterior pode avan\u00e7ar mais depressa que a a\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica. A estrutura mudou pouco, mas o governo alterou claramente o modo de conduzir a pol\u00edtica (NACHIAPPAN, 2026, p. 2-6).<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados materiais tornam vis\u00edvel essa diferen\u00e7a. A \u00cdndia combina emiss\u00f5es hist\u00f3ricas e per capita relativamente baixas com 8% das emiss\u00f5es mundiais correntes. Expandiu rapidamente a energia solar, mas n\u00e3o alcan\u00e7ou a meta de 100 GW em 2022, enquanto o consumo de carv\u00e3o continuou crescendo. Tamb\u00e9m persistem d\u00favidas sobre quanto carbono as florestas efetivamente retiram da atmosfera. Nada disso autoriza tratar toda a diplomacia indiana como mera ret\u00f3rica, pois o pa\u00eds enfrenta restri\u00e7\u00f5es distributivas e tecnol\u00f3gicas reais. Os n\u00fameros mostram, por\u00e9m, que an\u00fancios, metas de intensidade e novas iniciativas n\u00e3o bastam para demonstrar lideran\u00e7a clim\u00e1tica. \u00c9 preciso observar com que velocidade e qualidade o pa\u00eds transforma seu sistema energ\u00e9tico (PNUMA, 2024, p. 12; DUBASH et al., 2018, p. 406-407).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o ocorre entre competi\u00e7\u00e3o e depend\u00eancia m\u00fatua. A China \u00e9 parceira nas negocia\u00e7\u00f5es, fornecedora indispens\u00e1vel e principal rival industrial. Estados Unidos, Uni\u00e3o Europeia e Jap\u00e3o ajudam a diversificar fornecedores, mas defendem regras que a \u00cdndia n\u00e3o aceita por inteiro. A identidade do Sul Global d\u00e1 legitimidade a Nova D\u00e9lhi e expressa demandas distributivas fundamentadas. Tamb\u00e9m serve \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o e n\u00e3o elimina as diferen\u00e7as entre grandes emissores e pa\u00edses vulner\u00e1veis. A diplomacia ser\u00e1 mais coerente se equilibrar essas rela\u00e7\u00f5es, beneficiar seus parceiros e aproximar as ambi\u00e7\u00f5es externas das mudan\u00e7as realizadas em casa, sem abandonar uma distribui\u00e7\u00e3o mais justa dos custos globais (PATHAK, PARRIS, 2021, p. 19-20).<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/h1>\n\n\n\n<p>AG\u00caNCIA INTERNACIONAL DE ENERGIA (AIE).&nbsp;Coal mid-year update: July 2024.&nbsp;Paris: AIE, 2024. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.iea.org\/reports\/coal-mid-year-update-july-2024\">https:\/\/www.iea.org\/reports\/coal-mid-year-update-july-2024<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>BHARATIYA JANATA PARTY (BJP). Election Manifesto 2014. New Delhi: BJP, 2014. Dispon\u00edvel em: BJP Digital Library.<\/p>\n\n\n\n<p>CHATURVEDI, Vaibhav et al. India\u2019s pathway to net zero by 2070: status, challenges, and way forward. Environmental Research Letters, [s. l.], v. 19, art. 112501, 2024. DOI: 10.1088\/1748-9326\/ad7749.<\/p>\n\n\n\n<p>DUBASH, Navroz K., KHOSLA, Radhika, KELKAR, Ulka, LELE, Sharachchandra. India and climate change: evolving ideas and increasing policy engagement. Annual Review of Environment and Resources, [s. l.], v. 43, p. 395-424, 2018. DOI: 10.1146\/annurev-environ-102017-025809.<\/p>\n\n\n\n<p>GULIA, Jyoti, THAYILLAM, Akhil, GARG, Vibhuti. Rooftop solar lagging: why India will miss its 2022 solar target. [S. l.]: JMK Research; Institute for Energy Economics and Financial Analysis, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00cdNDIA. Submission by India on the Baku to Bel\u00e9m Roadmap to 1.3T. New Delhi: Government of India, 2025.&nbsp;Dispon\u00edvel em: https:\/\/unfccc.int\/sites\/default\/files\/resource\/India_B2BR.pdf.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00cdNDIA. India\u2019s nationally determined contribution (2031-2035). New Delhi: Government of India, 2026.&nbsp;Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/unfccc.int\/sites\/default\/files\/2026-04\/INDIA%20NDC%202031-35.pdf\">https:\/\/unfccc.int\/sites\/default\/files\/2026-04\/INDIA%20NDC%202031-35.pdf<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00cdNDIA. Ideas for the Vision Viksit Bharat@2047.&nbsp;MyGov, 2023. Dispon\u00edvel em: MyGov India.<\/p>\n\n\n\n<p>LEISEROWITZ, Anthony et al. Global warming\u2019s four Indias, 2022: an audience segmentation analysis. New Haven: Yale Program on Climate Change Communication, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>NACHIAPPAN, Karthik. India\u2019s new climate statecraft. New York: Council on Foreign Relations, 2026.&nbsp;Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cfr.org\/articles\/indias-new-climate-statecraft.<\/p>\n\n\n\n<p>PATHAK, Swapna, PARRIS, Christie. India\u2019s diplomatic discourse and development dilemma in the international climate change regime.&nbsp;India Review, [s. l.], v. 20, n. 1, p. 1-28, 2021. DOI: 10.1080\/14736489.2021.1875699.<\/p>\n\n\n\n<p>PROGRAMA DAS NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS PARA O MEIO AMBIENTE (PNUMA).&nbsp;Emissions gap report 2024: no more hot air&#8230; please!. Nairobi: PNUMA, 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>PRYS-HANSEN, Miriam, KAACK, Simon. India\u2019s security and climate policy: navigating the China challenge. Journal of Asian Security and International Affairs, [s. l.], v. 11, n. 4, p. 557-576, 2024. DOI: 10.1177\/23477970241284451.<\/p>\n\n\n\n<p>RAMAMURTHI, Pooja Vijay, JARGAD, Shruti. Framing India\u2019s China strategy on climate and clean energy. New Delhi: Centre for Social and Economic Progress, 2026. (CSEP Working Paper, 119).<\/p>\n\n\n\n<p>RATHA, Keshab, BARIK, Arta. India\u2019s climate diplomacy: a review (2014-2024). New Delhi: Observer Research Foundation, 2025. (ORF Issue Brief, 787).<\/p>\n\n\n\n<p>SARYAL, Rajnish. Climate change policy of India: modifying the environment. South Asia Research, [s. l.], v. 38, n. 1, p. 1-19, 2018. DOI: 10.1177\/0262728017745385.<\/p>\n\n\n\n<p>SHARMA, Mukul. Modi the \u201cSolar Superman\u201d: Hindutva, Climate Change and Renewable Energy. India Review, v. 24, n. 1, p. 55\u201386, 2025. https:\/\/doi.org\/10.1080\/14736489.2025.2454795.<\/p>\n\n\n\n<p>SINHA, Shreya. India and China in the global climate regime: opportunities, challenges, and the road ahead. Journal of World Affairs: Voice of the Global South, [s. l.], v. 2, n. 1, p. 92-107, 2026. DOI: 10.1177\/29769442251405657.<\/p>\n\n\n\n<p>SRIVASTAVA, Abhishek. A decadal snapshot of India\u2019s soft power strategies (2014-2024). New Delhi: Observer Research Foundation, 2025. (ORF Special Report, 251).<\/p>\n\n\n\n<p>XAVIER, Constantino, NACHIAPPAN, Karthik. India\u2019s climate diplomacy: new priorities and policy options.&nbsp;New Delhi: Centre for Social and Economic Progress, 2024.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>&nbsp;Sumidouros de carbono s\u00e3o sistemas naturais ou artificiais que absorvem e armazenam mais carbono da atmosfera do que liberam. Florestas, solos, oceanos e zonas \u00famidas s\u00e3o exemplos de sumidouros naturais, pois capturam di\u00f3xido de carbono por processos biol\u00f3gicos, f\u00edsicos e qu\u00edmicos, contribuindo para limitar sua concentra\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica. Sua capacidade de armazenamento, entretanto, pode ser reduzida ou revertida por fatores como desmatamento, queimadas, degrada\u00e7\u00e3o ambiental e aquecimento dos oceanos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;Contribui\u00e7\u00f5es Nacionalmente Determinadas (NDCs, do ingl\u00eas) s\u00e3o os compromissos clim\u00e1ticos apresentados por cada pa\u00eds no \u00e2mbito do Acordo de Paris, nos quais s\u00e3o definidas metas e medidas nacionais de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, podendo tamb\u00e9m incluir a\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Elaboradas conforme as circunst\u00e2ncias e capacidades de cada pa\u00eds, devem ser atualizadas a cada cinco anos e demonstrar progress\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vers\u00f5es anteriores, refletindo o maior n\u00edvel poss\u00edvel de ambi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>&nbsp;Protocolo de Kyoto \u00e9 um tratado clim\u00e1tico adotado em 1997 no \u00e2mbito da UNFCCC e vigente desde 2005, que estabeleceu metas juridicamente vinculantes de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es para pa\u00edses desenvolvidos, sem impor obriga\u00e7\u00f5es equivalentes aos pa\u00edses em desenvolvimento, como a \u00cdndia. Seu primeiro per\u00edodo de cumprimento abrangeu 2008\u20132012, seguido por um segundo per\u00edodo, de 2013 a 2020, enquanto se negociava um novo arranjo clim\u00e1tico internacional, posteriormente consolidado pelo Acordo de Paris.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>&nbsp;Confer\u00eancias das Partes (COP) s\u00e3o o \u00f3rg\u00e3o m\u00e1ximo de decis\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima, composto pelos pa\u00edses que integram o tratado e reunido, em regra, anualmente. Suas fun\u00e7\u00f5es incluem avaliar a implementa\u00e7\u00e3o dos compromissos clim\u00e1ticos, negociar novos acordos e adotar decis\u00f5es sobre temas como mitiga\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o, financiamento, transpar\u00eancia, transfer\u00eancia de tecnologia e perdas e danos. A COP \u00e9 central para o regime clim\u00e1tico internacional porque constitui o principal espa\u00e7o de negocia\u00e7\u00e3o multilateral, no qual os pa\u00edses coordenam respostas coletivas, estabelecem regras comuns e acompanham o progresso global.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>&nbsp;Acordo de Paris \u00e9 um tratado internacional sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, adotado em 2015 durante a COP21, que busca manter o aumento da temperatura m\u00e9dia global bem abaixo de 2 \u00b0C em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis pr\u00e9-industriais, com esfor\u00e7os para limit\u00e1-lo a 1,5 \u00b0C. Sua implementa\u00e7\u00e3o ocorre principalmente por meio das Contribui\u00e7\u00f5es Nacionalmente Determinadas (NDCs), planos nos quais cada pa\u00eds define suas pr\u00f3prias metas e medidas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es e adapta\u00e7\u00e3o, conforme suas circunst\u00e2ncias nacionais. Atualizadas a cada cinco anos, as NDCs devem apresentar n\u00edveis crescentes de ambi\u00e7\u00e3o. A import\u00e2ncia do Acordo reside em ter estabelecido um marco clim\u00e1tico de alcance praticamente universal, reunindo pa\u00edses desenvolvidos e em desenvolvimento em torno de objetivos comuns e de um ciclo cont\u00ednuo de apresenta\u00e7\u00e3o, avalia\u00e7\u00e3o e fortalecimento de compromissos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>&nbsp;Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (UNFCCC, do ingl\u00eas) \u00e9 um tratado adotado em 1992 com o objetivo de estabilizar as concentra\u00e7\u00f5es de gases de efeito estufa em n\u00edveis que evitem interfer\u00eancias humanas perigosas no sistema clim\u00e1tico. A Conven\u00e7\u00e3o estabeleceu os princ\u00edpios e a estrutura institucional da coopera\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica internacional, incluindo as Confer\u00eancias das Partes (COPs), e serviu de base para a posterior ado\u00e7\u00e3o do Protocolo de Quioto e do Acordo de Paris.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>&nbsp;Baku to Bel\u00e9m Roadmap to 1.3T (Roteiro de Baku a Bel\u00e9m para US$ 1,3 trilh\u00e3o) \u00e9 uma iniciativa conduzida conjuntamente pelas presid\u00eancias da COP29, realizada em Baku, e da COP30, em Bel\u00e9m, destinada a orientar a amplia\u00e7\u00e3o do financiamento clim\u00e1tico destinado aos pa\u00edses em desenvolvimento para, no m\u00ednimo, US$ 1,3 trilh\u00e3o por ano at\u00e9 2035. O roteiro contempla recursos p\u00fablicos e privados para apoiar a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, a adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e a implementa\u00e7\u00e3o das metas e dos planos nacionais dos pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>&nbsp;Global Stocktake (GST), ou Balan\u00e7o Global, \u00e9 o processo previsto no Acordo de Paris para avaliar, a cada cinco anos, o progresso coletivo dos pa\u00edses no cumprimento de seus objetivos clim\u00e1ticos. A an\u00e1lise abrange \u00e1reas como redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es, adapta\u00e7\u00e3o aos impactos clim\u00e1ticos e meios de implementa\u00e7\u00e3o, incluindo financiamento e transfer\u00eancia de tecnologia, e seus resultados orientam a revis\u00e3o e o fortalecimento das metas clim\u00e1ticas nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>&nbsp;BASIC \u00e9 o grupo formado por Brasil, \u00c1frica do Sul, \u00cdndia e China para coordenar posi\u00e7\u00f5es nas negocia\u00e7\u00f5es internacionais sobre o clima.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"applewebdata:\/\/0EEA92BC-CF84-41DE-B4A0-F8C86AC8F429#_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>&nbsp;Like-Minded Developing Countries (LMDCs), ou Pa\u00edses em Desenvolvimento com Posi\u00e7\u00f5es Afins, \u00e9 uma coaliz\u00e3o que coordena os interesses de pa\u00edses em desenvolvimento nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, com \u00eanfase em equidade, financiamento clim\u00e1tico e responsabilidades diferenciadas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>O Laborat\u00f3rio de Estudos Asi\u00e1ticos \u2013 LEA \u2013 criado em 2010, tem como objetivo desenvolver atividades de pesquisa e de extens\u00e3o universit\u00e1ria que unam professores, alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e de gradua\u00e7\u00e3o. Vinculado aos cursos de gradua\u00e7\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e de Defesa e Gest\u00e3o Estrat\u00e9gica Internacional da UFRJ, o laborat\u00f3rio produz estudos comparados e an\u00e1lises de conjuntura sobre os pa\u00edses que integram o continente de maior contingente populacional e extens\u00e3o territorial do planeta, marcado pela diversidade e pela complexidade de suas tem\u00e1ticas. Desse modo, esperamos contribuir para o entendimento das quest\u00f5es referentes \u00e0 \u00c1sia que figuram no centro das aten\u00e7\u00f5es atualmente. Coordena\u00e7\u00e3o: Profa Dra. Marianna Albuquerque.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Lucas Feitosa Vidal<\/strong> \u00e9 graduando em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela UFRJ e membro do Laborat\u00f3rio de Estudos Asi\u00e1ticos.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volume 13 | N\u00famero 126 | Out. 2026 Por Lucas Feitosa Vidal INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3474,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[646,645,685],"tags":[],"class_list":["post-3480","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-edicao-atual","category-edicao-especial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3480","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3480"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3480\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3481,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3480\/revisions\/3481"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3474"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3480"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3480"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogosinternacionais.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3480"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}